
Quão surpreendentes são os animais. Quisera o ser humano tivesse essa fidelidade desinteressada, que tem os animais. Tá ai a forma mais pura de sentimento que se pode ter. Esse cachorro é uma lição para a outra raça que se julga infinitamente melhor , a tal raça humana. O cachorro permaneceu ao lado de sua dona mesmo esta já não podendo oferecer nada para ele. Uma vez enterrada a dona não lhe podia oferecer apoio, amparo ou proteção. Mas o animal não estava ali por interesse e sim pelo sentimento que o ligava aquele corpo inerte soterrado. O que o mantinha ali era o amor em sua forma mais pura. É esse amor que não vê cor, credo e tampouco classe social. Enquanto a humanidade abandona seus mortos em frias sepulturas indo lá de vez e nunca, o animal manteve -se ali por dias. Velando um corpo coberto por terra e em estado de putrefação. É como se estivesse cuidando de quem outrora cuidou dele, de quem o abrigou e alimentou. Em meio a toda a terra que cobriu a cidade, essa cova rasa, com palmos medidos, é só mais um número para tantos. Mas para esse cão, é o local onde está o seu líder.
Enqunto alguns humanos mordem a mão de quem o alimenta, o bicho, o irracional protege um corpo em decomposição. Como quem guarda um bem precioso. Talvez com saudades da mão que lhe afagava os pelos.
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